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Serigrafias

Raúl Perez (1944, Portugal)

Raúl Perez

Raúl Perez nasceu em 1944, em Lovelhe, no Minho, Portugal, e realizou a sua primeira exposição individual aos 28 anos, em 1972, na Galeria São Mamede, em Lisboa, onde apresentou imagens do seu Diário Onírico. Reconhecido como pintor e ilustrador, é uma figura central da corrente surrealista portuguesa, mantendo uma relação próxima com Cruzeiro Seixas e participando em várias exposições organizadas por Mário Cesariny. Ligado ao legado do surrealismo, conseguiu simultaneamente inscrever-se nessa tradição e libertar-se dela, afirmando uma linguagem própria e singular.

O surrealismo é uma referência estruturante na obra de Raúl Perez, embora tenha tido uma expressão muito residual em Portugal, devido à sua chegada tardia. Figura polémica e contestatária, Mário Cesariny defendia que “a falta de estruturação dava ao surrealismo português uma enorme vitalidade exterior” e argumentava que nunca existira, de facto, um movimento surrealista no país, nem mesmo durante o breve período de existência pública (1948-1949) do Grupo Surrealista de Lisboa. Este grupo, que publicou quatro opúsculos, realizou uma manifestação pública e uma exposição de pintura, acabou por se desvanecer rapidamente, tal como o grupo subsequente, “Os Surrealistas”. Cesariny chegou a afirmar que “o surrealismo português viveu e morreu, sem dúvida, na clandestinidade.”

Raúl Perez é herdeiro desta história e integra-se na tradição surrealista outrora celebrada por André Breton, a da “arte mágica”. Transformando sonhos em aparência e substância, as suas obras, simultaneamente inquietantes e perfeitas, baseiam-se na materialização do encantamento, sendo um exemplo vivo da vitalidade desse movimento artístico.

Com obras expostas na Galeria São Mamede em 1972, 1982 e 1985, Perez aderiu ao grupo surrealista internacional Phases, com sede em Paris, em 1973, marcando o início de um percurso internacional significativo. Participou em exposições de grande relevo, como “O Cadáver Esquisito, sua exaltação”, em Lisboa, em 1975, a exposição internacional surrealista “Marvelous Freedom - Vigilance of Desire”, organizada pela revista Arsenal em Chicago, em 1976, e a “Imagination Internationale Ausstelung Bildnerischer Poesia”, no Museu de Bochum, na Alemanha, em 1978. Esteve também presente em mostras organizadas pela revista Brumes Blondes, em Amesterdão, e na homenagem ao poeta António Maria Lisboa, promovida por Cruzeiro Seixas, no Estoril.

Em 1981, integrou a exposição icono-biográfica “Três Poetas do Surrealismo: António Maria Lisboa, Pedro Oom e Mário Henrique-Leiria”, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, e, em 1986, participou em “O Fantástico na Arte Portuguesa Contemporânea”, no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian. Mais recentemente, a Fundação Cupertino de Miranda organizou, em 2006, uma retrospetiva da sua obra plástica, e o Museu Berardo exibiu trabalhos seus em 2009. Em 2015, a Fundação D. Luís I, em Cascais, apresentou a exposição “Fragmentos, Pintura e Desenho de Raúl Perez”.

A sua obra tem sido exibida em diversas exposições da Casa da Liberdade - Mário Cesariny e da Perve Galeria ao longo dos anos. 

Para além da pintura, destacou-se como ilustrador, criando capas para obras literárias de autores como Julien Gracq e Fernando Pessoa, incluindo a edição holandesa de O Banqueiro Anarquista. Com uma obra profundamente marcada pelo surrealismo e pela materialização de sonhos, Raúl Perez mantém viva a energia criativa e o legado mágico desse movimento, afirmando-se como uma figura incontornável no panorama artístico português e internacional.

Sobre Nós


A Perve Galeria dedica-se à promoção e divulgação da arte moderna e contemporânea, representando artistas nacionais e internacionais e desenvolvendo projetos expositivos, editoriais e de investigação com uma forte dimensão cultural e patrimonial.

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